Joaquim Maria Morte [?–1882]
Músicos
Joaquim Maria Morte era natural de Évora e faleceu no Alandroal em 1882. Segundo as Memórias de Vila Viçosa de Pe. Joaquim José da Rocha Espanca, refugiou-se naquela vila por motivos políticos e ali se associou a Francisco António Franco [1796–1868] na formação de uma banda marcial ou filarmónica, considerada pelo memorialista como a primeira do Alto Alentejo.
Em 1850, esta filarmónica deslocou-se a Vila Viçosa para acompanhar a missa solene de Sexta-feira das Dores, na Igreja do Espírito Santo. Espanca apresenta-a como a primeira festa local com instrumental de vento e relaciona essa atuação com a criação da Filarmónica União Calipolense no ano seguinte. Em maio de 1852, Morte dirigiu a formação no cortejo fúnebre de José Maria da Costa [1797–1852], também em Vila Viçosa, acompanhando-o com marchas fúnebres.
Nas exéquias de D. Pedro V promovidas pela Câmara Municipal, em dezembro de 1861, tocou o harmónio trazido da Matriz do Alandroal. Espanca explica a sua participação pelo facto de os organistas locais não estarem habituados àquele instrumento e caracteriza-o como «Miguelista intransigente».
Uma ficha patrimonial da Sé de Évora atribui-lhe uma intervenção no órgão renascentista do coro alto em 1830. Esta informação carece de confirmação documental, tal como a natureza dos trabalhos realizados.
Autora: Laura Susete Viegas
Referência iconográfica: Festival Internacional de Órgão de Évora, «Órgão renascentista da Sé de Évora», s. d. Fotografia do órgão do coro alto, disponível em «Os órgãos». https://fioe.igrejadesaofrancisco.pt/wp/home/os-orgaos/