Rafael Maria Rúdio 1894-1982
Colecionadores
Rafael Maria Rúdio 1894-1982
Rafael Maria Rúdio foi a personificação do "erudito popular", um homem que provou que a paixão pelo conhecimento não exige diplomas. Apesar de possuir apenas a instrução primária, desenvolveu uma notável atividade intelectual e colecionista, reunindo ao longo de várias décadas um vasto espólio bibliográfico, documental, arqueológico, etnográfico e artístico.
Durante quarenta anos, percorreu as ruas de Estremoz como distribuidor postal dos CTT, profissão pela qual recebeu vários louvores. Contudo, era após o horário laboral que se transformava num dos mais notáveis colecionadores e bibliófilos do seu tempo. Na sua residência, instalada na casa onde nascera o poeta João da Silva Tavares, organizou o "Museu-Biblioteca de Rafael Maria Rúdio", onde reuniu milhares de livros, manuscritos, documentos, gravuras, moedas, medalhas, objetos arqueológicos e exemplares de arte popular, com destaque para os antigos barros de Estremoz.
Destacou-se também como ex-librista, utilizando esta arte gráfica para celebrar a sua profissão e a história de Estremoz. O lema «De Boa Vontade», que adotou como divisa pessoal, figura em vários dos ex-líbris que idealizou, síntese dos valores que orientaram a sua atividade. O mérito desta produção valeu-lhe o reconhecimento internacional como sócio da Associação Brasileira de Ex-Libris.
Apesar dos apelos públicos para que o seu espólio fosse integrado no património cultural de Estremoz, a falta de acompanhamento local acabou por ditar a alienação fragmentada de grande parte da obra de uma vida, confirmando a angústia com que vivia, a de ver as "coisas da sua terra" dispersas ou maltratadas. Embora o núcleo de Etnografia e Arte Popular tenha sido vendido ao Estado Português, com o objetivo de integrar um futuro Museu Nacional em Lisboa, o restante espólio sofreu um processo de dispersão que o próprio colecionador tentou gerir perante as dificuldades financeiras.
Autoria:
Carlos Pernas
Carlos Filipe
Filipe Rosado
CECHAP 2026